EXPEDIÇÃO TODO TERRENO LISBOA-DAKAR-BISSAU

Foram 15.555 quilómetros percorridos através de África, cruzando por duas vezes Marrocos e a Mauritânia, mas passando três vezes pelo Senegal e apenas uma visita à Guiné-Bissau e à Gâmbia.

O desafio, liderado por Alexandre Correia, editor da revista Todo Terreno, levou um Peugeot 3008 1.6 HDi de Lisboa a Bissau, com regresso igualmente a rolar.

Nesta Expedição Todo Terreno Lisboa-Dakar-Bissau, os pontos altos foram a dupla travessia do deserto do Sahara, onde se cumpriram mais de seis milhares de quilómetros, bem como a passagem nas pistas da Casamansa e Guiné-Bissau, já em plena África Negra, onde o asfalto desapareceu durante dias seguidos, para dar lugar a estradas em terra, poeirentas e esburacadas.

Na Mauritânia, por duas vezes o Peugeot 3008 foi conduzido até ao interior do Sahara, percorrendo pistas de terra isoladas no coração do deserto e diversas incursões pelos cordões de dunas nas regiões de Chinguetti e de Ouadane, duas cidades históricas, ambas reconhecidas pela Unesco como “Património da Humanidade”.

A VIAGEM EM NÚMEROS

5 a bordo, mas não esgotámos a lotação do Peugeot 3008. De Lisboa a Bissau, fomos 3, pois além de nós, acompanharam-nos Luís Jerónimo e Pedro Nogueira Simões. Em Dakar entrou Elsa Freitas, que no regresso à capital do Senegal cedeu o lugar a Paula Gonçalves, que nos acompanhou até Lisboa.

 

7 países: além de Portugal e Espanha, que atravessámos parcialmente a caminho e no regresso de África, percorremos de ponta a ponta Marrocos, a Mauritânia, o Senegal, a Guiné-Bissau e a Gâmbia. Estes dois últimos foram os únicos visitados apenas uma vez. Passámos três vezes no Senegal e duas vezes nos restantes.

 

20 passagens em postos fronteiriços, incluindo a saída e a entrada na União Europeia, em Tarifa, Espanha. Todas as restantes, em África.

 

27,5 horas imobilizados em postos fronteiriços. A paragem mais demorada foi de 3 horas, no regresso a Marrocos, após deixarmos a Mauritânia.

 

2 falsas fronteiras: montadas pela Frente Polisário, a meio dos 6 km que separaram os postos fronteiriços Marrocos/Mauritânia, naquela que hoje é a única passagem terrestre norte-sul através de África!

 

2 casos de extorsão em fronteiras. A primeira na chegada à Gâmbia, onde foi preciso pagar uma taxa de reabertura do posto e outra na terceira entrada no Senegal, onde fomos mais pacientes que os dois funcionários “gulosos”…

 

88 paragens em controlos militares, aduaneiros e policiais. Incluindo uma de controlo de velocidade com radar, em Marrocos, onde o Peugeot 3008 foi “apanhado” a 96 km/h numa zona de 60 km/h quase meia hora antes de lá termos passado. Perdemos outra meia hora num jogo de paciência com o “Gendarme”, sem nunca desistirmos da nossa inocência.

 

0 noites em acampamentos. Que nos perdoem os adeptos, mas contentámo-nos com poucas estrelas, quatro, três, duas e até uma muito duvidosa. Mas sempre com banho e lençóis lavados!

 

5 latas de atum, duas “importadas” e três compradas numa mercearia em Akjoujt, na Mauritânia, que nos permitiram fazer dois excelentes piqueniques; um à porta da loja e outro em pleno Sahara. Mas a caminho de Dakar tivemos de comer pão seco.

 

2 lagostas, que chegaram ao prato 10 minutos depois de as vermos espernear. Porque ir a Dakar e não fazer uma refeição no Lagoon 2 é mais grave que ir a Roma e não ver o Papa.

 

26 quilos de fruta. As bananas foram quase sempre constantes a sul do Sahara e as laranjas e tangerinas a norte do deserto, mas também comprámos morangos, fresquíssimos!

 

154 garrafas de 1,5 litros de água, que nunca faltaram a bordo.

 

17 garrafas de cerveja, incluindo 4 sem álcool, na Mauritânia e 2 “minis” em Bissau.

 

2 garrafas de vinho, ambas de tinto: uma de Malbec argentino, em Casablanca, e outra de Sirah sul-africano, mau, em Dakar.

 

1301,4 litros de gasóleo abastecidos em 57 paragens. A ideia foi procurar que depósito nunca baixasse além de metade da capacidade; por via das dúvidas…

 

7 atascansos em areia, sempre na Mauritânia e quatro dos quais ao arrancar depois de sessões fotográficas sem selecionar o modo “areia” do sistema Grip Control.

 

1 pneu furado, em pleno deserto do Sahara, na pista de Chinguetti a Ouadane.

 

46 graus centigrados, ao sol, registados no computador de bordo do Peugeot 3008, em Nouakchott. Uns dias depois, ao regressarmos a esta cidade a temperatura estava a metade e sentimos frio!

Uma Aventura

Porque percorrer África e atravessar o deserto do Sahara será sempre isso mesmo. Nunca sabemos se iremos encontrar ventos fortes, tempestades de areia ou temperaturas extremas, acima dos 50 graus centígrados. E nas pistas da África Negra, onde o asfalto ainda não chegou, não há meio termo: lama, na época das chuvas, ou buracos que parecem crateras, na estação seca.

Um Desafio

Porque partir para uma viagem destas em solitário, sem o apoio de outro veículo, já o é em si. O desafio torna-se ainda maior quando optamos por um modelo absolutamente de série e com tracção simples, tendo como único equipamento uma pá e um compressor de ar para encher os pneus, sempre que for necessário baixar a pressão para enfrentar pistas de areia…

Uma Homenagem

Porque esta expedição recorda as raízes do “Dakar” que, mesmo sem ter sido o precursor dos grandes ralis de todo terreno, foi o que adquiriu maior dimensão e notoriedade, contribuindo decisivamente para despertar o interesse pelas grandes aventuras em todo terreno.

Não perca as histórias e as imagens desta Expedição Todo Terreno Peugeot 3008 Lisboa-Dakar-Bissau na edição online da Todo o Terreno 

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