Conduzir um Ford Mustang não é para meninos!

 

É sempre um prazer voltar a deitar as mãos ao Mustang! É um dos meus carros preferidos, sempre foi. Gosto de ‘Muscle Cars’. Jamais esquecerei o dia em que conduzi um Chevrolet Camaro na reta de Troia, quando acelerei no Dodge Viper no circuito do Estoril ou quando acelerei a fundo no Corvette C6 na mítica e colorida pista de Paul Ricard. Este tipo de máquinas “devoradoras de asfalto” ganharam fama, um pouco por todo o mundo, em particular nos Estados Unidos da América onde poderosos motores V8 teimam em debitar doses maciças de adrenalina a todos os que têm a coragem, e oportunidade, de entrar a bordo e esmagar o acelerador como se não houvesse amanhã.

Os tempos são outros! Temos de ser inteligentes e deixar de ser egoístas pensando, agora, mais do que nunca, no futuro dos nossos filhos. A poluição, a seca, a falta de água, as tempestades e inundações, os tufões e furacões, não podem, não devem deixar ninguém indiferente.

Recordo que no dia 1 de julho, no início do verão, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou que os EUA iriam abandonar e colocar em causa o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas.

Lançado em 1964, este carro ganhou uma legião de fãs em todo o mundo. O automóvel ícone americano tem nome de cavalo selvagem e de caça de guerra, considerado um símbolo da condução desportiva no seu estado mais puro. Já tinha conduzido um Ford Mustang GT Coupé munido de um poderoso motor 5.0 litros, um V8, 408 CV de potência. Na altura, um ensaio a propósito da comemoração dos 50 anos deste modelo. Entretanto, a pensar nos clientes europeus, a Ford decidiu produzir este modelo com motores mais “pequenos” adaptados à fiscalidade europeia. E não só, também motores menos poluentes. A verdade é que agora já possível sonhar comprar e conduzir um Mustang adquirido no nosso país.

Podemos optar entre a versão mais acessível com o motor 2.3 de 317 CV com um preço a partir de 49.452 euros – precisamente o nosso carro de teste e que pode ver nas fotografias – ou escolher o propulsor 5.0 com 421 CV de potência a partir de 97.025 euros.

Ao volante é impossível passar despercebido

O Mustang não é um carro para meninos! É preciso estar concentrado naquilo que estamos a fazer. É um automóvel poderoso, capot enorme, jantes de 19 polegadas e calçado a preceito. Estamos a falar de 4,783 metros de comprimento, temos uma distância entre eixos de 2,720 metros. Pesa duas toneladas.

Conduzimos o Ford Mustang 2.3 EcoBoost Fastback. O motor a gasolina trata de colocar o condutor em sentido. Não é necessário comer um bife para manusear a caixa de 6 velocidades, de qualquer forma, a passagem das mudanças deve ser feita de forma precisa para tirar o máximo partido deste puro sangue. A direção é direta, o som do bloco 2.3 chega ao interior do habitáculo na medida certa. Não fique com a ideia de que o Ford Mustang é um automóvel onde é apenas possível andar depressa, este modelo revelou-se um bom estradista, onde o conforto de rolamento é bastante aceitável.

Por vezes sou convidado pelos amigos a fazer as habituais comparações. Com 50 mil euros não preferias comprar um desportivo alemão da Audi, BMW ou Mercedes? Não preferias ter um Jaguar ou uma boa carrinha desportiva de uma marca generalista? Enfim, as questões naturais e habituais. A verdade é que um Mustang é um Mustang! É viciante, é um prazer a cada metro de estrada que saboreamos ao volante. Senão repare. Temos disponível um binário de 432Nm às 3000 rpm. É exatamente quando o ponteiro do conta-rotações chega próximo das 3.000 rotações que o carro ganha alma e coração. É um tração traseira e é preciso escolher bem o sitio onde podemos experimentar a máquina em segurança. Basta colocar no modo Sport e o Mustang fica danado para a brincadeira (atenção que temos disponível o modo Pista). No sábado acordei cedo para um passeio matinal e umas fotografias. Dirigi-me até uma estrada bem larga, na zona de Sintra, fechada ao trânsito. Local onde costumo testar alguns carros e que termina com uma rotunda por inaugurar perto de uma zona residencial ainda sem moradores. O asfalto é impecável. No modo Sport o Mustang deixa a traseira mais solta convidando-nos a um bom Drift. Adrenalina pura! Só acelerador e volante. Mãozinhas para que te quero, a máquina não desilude. Acelerações controladas para não devolver o carro com os pneus slicks. A velocidade máxima indicada é de 234 km/h. A forma como acelera dos 0-100 km em 5,8 segundos é mais impressionante. O som rouco do motor coloca qualquer um firme e hirto. O enorme capot está sempre presente no horizonte.

Grande carro chefe!

O ambiente no interior do habitáculo deste coupé é soberbo, é tipicamente americano, mas é notório que ouve uma preocupação em oferecer tudo um que um bom cliente europeu mais gosta no que refere ao equipamento de conforto e segurança. Temos bancos dianteiros desportivos, ecrã tátil de 8 polegadas com ligação ao smartphone, câmara de visão traseira. O equipamento de série é bastante completo e na base de dados do Digital Motores pode configurar e saber o preço dos vários packs de personalização para este modelo. Gosto particularmente dos botões onde controlamos os 4 piscas, podemos desligar o ESP e gerimos o modo de condução. Veja as fotos que vale a pena. Não há dúvida, ao volante de um Mustang somos o centro das atenções. Somos fotografados vezes sem conta no Guincho, motards fazem sinal de aprovação com o polegar, até um bombeiro endurado no autotanque grita: “Grande carro oh chefe!!

O poder de travagem foi revisto nesta nova geração. Agora temos discos de travão ventilados e pré-carga elétrica dos travões. Quando falamos de muscle cars, mesmo “na sua faceta mais civilizada” temos sempre de contar em utilizar bastante a caixa para ajudar a travar. E se com o piso seco já é preciso cautela, então quando encontramos zonas com água… atenção redobrada. Apesar das acelerações rápidas e de rodar a velocidades elevadas procuro deixar sempre alguns metros de margem de segurança para travar. A escolha das trajetórias certas é determinante. De resto, as regras básicas da condução desportiva. O acelerador é quem mais ordena. Nada de movimentos bruscos no volante, é proibido travar em curvas de aderência reduzida, sempre com o carro relativamente “preso”, sem ser em excesso, mas atento à traseira. Os consumos são estranhamente comedidos, a média é de 12 litros. Em resumo. Todos os que gostam de automóveis gostavam certamente de deitar a mão a um Mustang. É verdade que temos os RS da Audi, os M da BMW, os AMG da Mercedes, o Porsche 911. Mas a possibilidade de comprar agora um Mustang (abaixo de 50 mil euros) que será sempre um carro de eleição, e, no futuro, quem sabe, um modelo de coleção, cujo investimento está sempre mais ou menos garantido, deixa qualquer um a pensar, ah deixa, deixa!

Texto: Luís Cáceres Monteiro

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