Ao Volante do Mitsubishi Outlander PHEV

O SUV Híbrido mais vendido do mundo renovou-se para enfrentar uma concorrência cada vez mais aguerrida. Viajámos até à belíssima região da Provence francesa, terra com aroma a alfazema, para conhecer as novidades mais recentes da Mitsubishi.

Chegados ao aeroporto de Marselha lá estava à nossa espera a nova geração híbrida plug-in do Outlander. As primeiras unidades devem ser entregues aos clientes antes do Natal, em dezembro.

A primeira coisa que pensei, quando olhei para o carro, foi que era volumoso e que deveria pagar classe 2 no desajustado sistema de portagens português. O novo SUV da marca japonesa é enorme, sim, é verdade, mas à semelhança do que acontecia com a geração anterior, tudo indica que será mesmo Classe 1, mesmo sem Via Verde.

A ACAP – Associação do Comércio Automóvel de Portugal, os importadores e distribuidores das diferentes Marcas tem desenvolvido contactos junto do Governo e dos diferentes concessionários de autoestradas para que a lei e as respetivas taxas sejam revistas até ao final do ano.

O Outlander foi apresentado em 2012, por ocasião do Salão Automóvel de Paris. Chegou ao mercado português no final do ano seguinte. Até ao mês de março deste ano vendeu 150.000 unidades.

A Aliança Renault/Nissan/Mitsubishi promete dar que falar na área dos automóveis híbridos e elétricos. O início desta parceria surgiu a propósito da tecnologia 4WD para as pick-up. Muito se tem debatido no setor automóvel sobre a questão do diesel, dos problemas que enfrentam os clientes de carros elétricos para quem não tem um posto de carregamento em casa ou no local de trabalho. Fala-se muito nas alterações climáticas, na poluição, mas pouco tem sido feito para impulsionar a montagem de mais postos de carregamento rápido. Lentamente, gradualmente, os automóveis elétricos, os híbridos e os plug-in têm vindo a conquistar o seu espaço. Neste caso, sou da opinião que a União Europeia e os Governos devem apoiar mais, ainda mais, com incentivos financeiros e fiscais as empresas públicas e privadas que pensem verde.

Até ao ano 2020, a Mitsubishi prepara-se para introduzir novos carros elétricos aproveitando a experiência da Renault/Nissan; como “moeda de troca” a Aliança poderá aproveitar o legado da Mitsubishi Motors na área dos sistemas híbridos (PHEV).

Três anos após o último facelift chegou a altura de a marca japonesa realizar uma atualização mais profunda no Outlander. São diversas as áreas em que os engenheiros e técnicos trabalharam. Quando um novo modelo é lançado algumas marcas optam por “cortar” completamente com a geração anterior. Neste caso, a identidade mantem-se, o Outlander continuará a ser conhecido na estrada com naturalidade. O design não é muito diferente, mas também não é mais do mesmo. A grelha dianteira, os faróis LED e o para-choques estão, como seria de esperar, mais modernos.

É no chassis, na suspensão e nos motores, que encontramos as diferenças mais evidentes. É claro que este é um SUV pesado (1.80 kg) e não é um modelo feito para grandes correrias. Gostei particularmente do comportamento da suspensão, concebida em primeira instância a pensar no conforto, mas que acaba por não comprometer o comportamento dinâmico de um automóvel volumoso e pesado. O novo motor 2.4 litros a gasolina tem energia suficiente para uma utilização descontraída e conseguimos médias de consumos muito interessantes para um carro tão expressivo, imaginem que conseguimos médias inferiores a 4 litros para percorrer 100 kms. É bom resultado se levarmos em conta que o novo Outlander está calçado com pneus 225/55R e jantes de 18 polegadas.

Como funciona o sistema PHEV

Não fique com a ideia de que o os motores podem trabalhar todos ao mesmo tempo, em conjunto, para obter a velocidade máxima. O sistema híbrido foi evoluído, apesar de se ter mantido o conceito de dois motores elétricos (um por eixo) e um de combustão interna. O motor elétrico dianteiro debita 82 CV, o motor traseiro é agora mais potente com 95 CV. O novo motor 2.4 com135 CV e 211 Nm de binário está associado a um gerador com mais 10% de capacidade. Ou seja, o novo motor a gasolina com o ciclo Atkinson, o motor elétrico dianteiro, mais o novo motor elétrico traseiro e o gerador nunca trabalham em conjunto para acelerar até à velocidade máxima. Tal combinação nunca ocorre na condução real. O sistema PHEV equilibra sempre a combinação mais adequada de modos de transmissão e propulsão.

A autonomia anunciada pela marca para a autonomia elétrica é de 45 quilómetros. No caso do carro que conduzimos, a bateria não estava totalmente carregada, encontrava-se a dois terços, de qualquer forma, procurámos utilizar sempre as patilhas do volante para gerir o tipo de regeneração pretendida. As patilhas funcionam de 0 a 6 gerindo o grau de reaproveitamento energético. O condutor pode sempre optar pelo ‘Modo SAVE’ onde o sistema gere automaticamente a utilização dos motores, poupando carga elétrica ao mesmo que tempo que contribui para poupar combustível.

O interior continua espaçoso, o equipamento de segurança e conforto é bastante completo. No habitáculo ficamos agradavelmente surpreendidos com a qualidade dos bancos, uma nova alavanca da caixa de velocidades elétrica, novos acabamentos e a regulação independente do ar condicionado para os passageiros dos lugares de trás. No caso da versão Instyle que conduzimos neste primeiro ensaio encontramos o sistema Smartphone Link apoiado num ecrã tátil de 7 polegadas compatível com Android Auto e Apple CarPlay. A capacidade da bagageira é de 453 litros até à chapeleira. A qualidade do sistema de som é muito boa ao que não será alheio o enorme subwoofer que encontramos na mala.

Novos modos de condução

O SUV da marca japonesa conta com três modos de condução. Todos ativados automaticamente pelo sistema PHEV e com tração elétrica permanente 4WD ou modo EV puro até 135 km / h. A bateria demora cerca de 4 horas a ficar totalmente carregada. As novidades são os modos de condução Sport e Snow.

O Mitsubishi Outlander PHEV terá um preço inicial de 47.000 euros. No caso da lei portuguesa as empresas podem descontar o IVA, razão pela qual, o preço final deverá baixar para um valor final próximo dos 35.000 euros. Recordamos que o novo protocolo de cálculo de emissões WLTP entra em vigor no início de 2019. O novo modelo de testes vem substituir o atual NEDC, forma a evitar diferenças entre países e marcas, permitindo o cálculo de emissões de poluentes (NOx, partículas, entre outros poluentes) e CO2, bem como o consumo de combustível nos veículos ligeiros, comerciais e passageiros.

Texto: Luís Cáceres Monteiro

Fotos: Mitsubishi/Volante

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